“Escola livre” é aprovado em Alagoas

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A despeito da mobilização de professores do ensino básico e do ensino superior de Alagoas, o veto do governador Renan Filho foi derrubado e assim o projeto 69/2015, de “autoria” do deputado Ricardo Nezinho (PMDB), foi aprovado. A Secretaria de Educação do estado e o Sinteal já afirmaram que irão recorrer da decisão. Leia aqui o texto final aprovado, e releia este nosso post para mais informações sobre o projeto. Nós fizemos uma carta aberta pedindo primeiramente ao governador para que vetasse; após esta pequena vitória, redirecionamos a carta aos deputados e deputadas alagoanas defendendo a manutenção do veto.

 A sessão onde se discutiu o veto foi desesperadora. Ela me fez pensar no ensaio de George Orwell chamado A política e a língua inglesa (1). Neste texto Orwell narra como que a decadência da língua inglesa que ele entendia estar em curso era um reflexo de um crescimento da ignorância política dos ingleses. Para quem já leu 1984, ou que mesmo sem ter lido conhece a ideia da novilíngua, já deve ter pego a ideia. Explico: para Orwell, a decadência da língua inglesa era evidente em textos cujos autores tentavam ser cultos demais e por causa disso davam voltas repetitivas, sem nunca deixar claro a ideia das suas frases; e/ou usavam de expressões clichês para completar suas ideias. E o que acontece, segundo Orwell, quando uma língua se acostuma a funcionar através de clichês? Acontece que as pessoas param de pensar. Por isto o “emburrecimento político” (expressão minha, não do autor) inglês: as pessoas estavam se acostumando a se expressar por meio de frases feitas, expressões feitas, clichês, e assim elas não estavam realmente pensando sobre o que estavam escrevendo e falando. Elas só estavam repetindo.

Foi isto que pareceu a sessão. A linguagem não estabeleceu uma comunicação real entre os deputados. O principal defensor do projeto, Bruno Toledo (PROS), defendeu como democrático e interessante um projeto de lei que despudoradamente limita a liberdade de expressão sem aparentemente detectar nenhuma contradição. Ele louvava a neutralidade e falava do perigo da “doutrinação” sem explicar nada disto devidamente, mas também não foi questionado como deveria. Infelizmente, até mesmo um deputado que era contra o projeto usou o termo “ideologia de gênero”. Os outros deputados e deputadas que votaram contra o projeto fizeram boas colocações quanto à sua inconstitucionalidade, mas não chegaram à essência da questão: desconstruir os termos slogans que se espalham atualmente.  Ao fim e ao cabo, o escola sem partido conseguiu estabelecer a linguagem pela qual o projeto foi discutido. Uma linguagem de frases feitas e expressões vazias de sentido, mas que têm sido repetidas incessantemente por muitos que têm-se recusado a pensar.

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